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Ilustre Palavra – Ode à Transitoriedade

A coluna Ilustre Palavra – “Ode à transitoriedade”. Ilustre Palavra é semanal e traz textos e ilustrações de artistas independentes e integrantes do ColetiveArts.

Patrícia Maciel, Texto

Jorginho, Ilustração

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Conta Comigo • A Primeira Escritora

Você sabe quem foi a primeira escritora do Brasil? Lia na coluna Conta Comigo!, de Michele Machado Fernandes.

Fala de um professor meu do cursinho: a primeira escritora brasileira foi Rachel de Queiroz, autora de “O Quinze” (1930), mas é possível que algum homem de sua família fosse o legítimo escritor da obra, já que, segundo ele, a autora apresentava características de escrita masculina.

Até hoje reflito sobre a falta de informação. Na verdade, ela foi a primeira mulher a ser aceita na Academia Brasileira de Letras, em 1977, quando a ABL aceitou passar a admitir mulheres em seu seleto grupo. Antes disso, a escritora Júlia Lopes de Almeida havia participado do grupo fundador da ABL (1897), mas foi excluída de última hora e substituída pelo seu marido.

Maria Firmina dos Reis – negra, abolicionista e professora – muitas vezes é citada como a escritora mais antiga de nosso país. Na realidade, depois de ter o seu nome esquecido por mais de um século, foi reconhecida por ser a primeira mulher a publicar um romance no Brasil: “Úrsula”, em 1853.

Conta Comigo • A Primeira Escritora
Busto de Maria Firmina na Praça do Pantheon, em São Luís, Maranhão.

Devido à escassez de material, não há precisão sobre quem foi a verdadeira pioneira das letras no Brasil.

Algumas candidatas:

– Rita Joana de Sousa (PE – séc. XVIII): Os seus manuscritos desapareceram, portanto não se pode definir a data.

– Teresa Margarida da Silva e Orta (SP – 1711/1793): Foi a primeira mulher brasileira a escrever ficção ao publicar “Aventuras de Diófanes”. A autora viveu desde menina em Portugal, portanto não publicou no Brasil.

– Ângela do Amaral Rangel, a Ceguinha, (RJ – 1725/?): Foi provavelmente a primeira mulher a publicar poemas. A sua deficiência visual torna a sua façanha ainda mais meritosa.

– Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira (MG – 1759/1819): A sua obra foi destruída quando a sua casa foi revistada devido a sua participação na Conjuração Mineira. Algumas pesquisas atribuem, no entanto, a verdadeira autoria dos seus poemas ao marido Alvarenga Peixoto. Oficialmente, ela teria enlouquecido após o exílio do marido. Hoje os historiadores acreditam que ela teria alegado demência para conseguir manter pelo menos parte dos bens confiscados por ser inconfidente.

Óleo sobre tela retratando Bárbara Heliodora

A importância em se pesquisar o tema está no fato de observarmos que produções literárias feitas por mulheres são minoria não por falta de escritoras, mas por um forte movimento que oprime e apaga essa produção.

Você sabe quem foi a primeira mulher escritora do mundo?



Se você pensou em Jane Austen, passou longe. É uma grande escritora do início do século XIX e uma das mais antigas que ainda faz sucesso nas livrarias, com obras relevantes com “Orgulho e Preconceito”.

No entanto, antes dela, na Inglaterra, autoras como Clara Reeve, Ann Radcliffe e Sophia Lee publicaram seus romances ainda no século XVIII.

Bem antes disso, porém, a escritora japonesa conhecida como Murasaki Shikibu foi uma romancista de destaque. Ela atuou como dama de companhia na corte imperial durante o período Heian. A sua obra mais popular é “A História dos Genji”, escrita aproximadamente entre 1000 e 1012, que se considera o primeiro romance escrito por uma mulher. O seu estilo irônico e intimista gera comparações com Jane Austen e Virginia Woolf.

No entanto, ainda antes disso, a poetisa grega conhecida como Safo de Lesbos (séc. VII a. C.) deixava o seu nome impresso na lírica grega (poemas feitos para se ler em público acompanhados pela melodia de uma lira). Safo também é famosa – e polêmica – por ter criado uma escola só para mulheres.

No entanto, Safo não foi a primeira escritora. Esta é bem mais antiga e foi também a primeira pessoa a ter o seu nome identificado como autor de alguma obra escrita.

Sim! O primeiro escritor do mundo foi uma mulher!

“Disco de Enheduanna”

O seu nome era Enheduanna. Ela viveu no século XXIII a.C., na Mesopotâmia. Foi uma princesa, sacerdotisa, filósofa e poetisa. O seu pai, o Rei Sargão, o Grande, foi o fundador da dinastia acadiana e conquistou as cidades-estados sumérias. O seu império se estendia por toda a Mesopotâmia (hoje Irã, Iraque e Síria).

Enheduanna fez parte do governo do irmão, o rei Rimus. A princesa teria se envolvido em turbulências políticas e, em decorrência disso, teria sido banida e posteriormente restituída ao seu cargo de alta sacerdotisa. Sobre esse tema fala o seu canto “A Exaltação de Inana”.

Mesmo depois da morte, Enheduanna continuou sendo lembrada como uma figura importante do reino e é a escritora mais antiga entre homens e mulheres a ter a sua obra com autoria identificada.


Portfólio de Michele Machado Fernandes

Cavando Ideias • Marielle Vive Acampamento de Valinhos do MST

Fiquei sabendo do despejo dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, que acampam em Valinhos, próximo a Campinas, cujo acampamento produz verduras, legumes e frutas para muitas pessoas dos arredores. E o mais importante: fazem uma agroecologia, vendem alimentos saudáveis para muitos como nós, que durante o isolamento, passamos a comprar destas famílias do MST, que produzem e entregam na porta de casa, principalmente para os que moram próximo.

E uma vez que minha família passou a ser compradora do que estes trabalhadores produzem: alimentos sem agrotóxicos, sem envenenar o solo, portanto muito mais saudáveis e adequados para o consumo e cuidados com a terra. Comecei a entender muito melhor a necessidade de uma reforma agrária que realmente distribua às famílias agricultoras as terras improdutivas. Justamente para evitar o que está acontecendo com estas famílias a partir do momento em que os donos ausentes começaram a reclamar a posse da terra. E o pior é que várias famílias ficam sem teto e sem trabalho, logo, sem ter o que comer. Consequentemente, passa a existir menos chances de se comprar alimentos saudáveis.

O Tribunal de Justiça de São Paulo, no recente dia 23 de novembro autorizou o despejo destas famílias. Sendo contrário à própria lei que afirma a ilegalidade de despejos no período de pandemia, que ainda não passou. Como consumidora do trabalho deste povo, estou realmente indignada; por isso coloco neste espaço de comunicação as ideias da redatora de que precisamos encaminhar a reforma agrária e buscar justiça para estas famílias e para as famílias que ficarão sem a opção de consumir produtos saudáveis.

Precisamos todos entender as reivindicações do Movimento dos Trabalhadores sem Terra e nos colocarmos ao lado deles. Além de colocar diretamente minhas ideias e posição política, faço questão de marcar esta postura com uma história sobre serpente, que redigi para a revista de uma amiga. Tenho certeza de que ela me deixaria livre para publicar aqui;  afinal, conforme eu já comentei em outro momento: a vida imita a arte. Bom, no caso deste conto é o que realmente eu espero: que as famílias do acampamento Marielle Vive, possam recuperar suas terras. E, ainda, que os leitores gostem do conto.

CORAL

Coralina era uma moça do campo. Morava em terra abandonada, tomada por um grupo de trabalhadores.

Em geral, estes trabalhadores também serviam a grandes fazendeiros, ora cuidando de gado, ora cuidando de cachorros de um enorme canil que existia na região. Ora plantavam soja, o grande latifúndio da região. Mas estas terras em que o grupo morava eram improdutivas, até estas famílias chegarem. Regarem, adubarem, plantarem: mandioca, alface, cenoura, banana, cheiro verde, as terras estavam abandonadas. Sem ninguém. Era só mato e um bom trecho era só terra seca.

As famílias já ocupavam a terra há uns vinte anos. Começou com alguns trabalhadores desempregados, famintos que começaram a plantar e colher. E tudo eles faziam num mutirão. Juntos se organizaram, todos participavam da plantação e todos participavam da colheita. Era uma boa forma de garantirem alimentação para todos. Arrumaram um caminhão que transportava seus alimentos para bairros mais próximos da cidade. Assim, não perdiam nada que plantavam. Comiam e ainda distribuíam os produtos de seu trabalho para outras pessoas que não podiam pagar muito e procuravam alimento fresco e sem os agrotóxicos que os latifúndios empregavam sem critério ou medida.

Com trabalho, insistência e organização, já tinham construído suas moradias, com relativo conforto para o campo, embora com material de construção simples, como madeira e barro. Não tinham luxo e não se preocupavam com acabamentos caros das moradias dos grandes produtores rurais. Viviam respeitando a natureza e só plantavam alimentos nativos ou da região. Usavam pesticidas naturais como vinagre com água, ou até mesmo sabão caseiro dissolvido em água.

Muitos podem não saber, mas o sabão e o vinagre são pesticidas naturais e não contaminam a colheita. Além disso, produziam em rodízio para não esgotar o solo, retirando todos os sais minerais necessários para a fertilidade. Pelo contrário, dividiam o terreno e a cada período plantavam um alimento. Isso quando não plantavam todos os alimentos no mesmo terreno; uma vez que já ficou provado que quando existem diversos tipos de plantas no mesmo solo, uma planta auxilia o desenvolvimento da outra. Daí, a grande fertilidade das florestas nativas. A natureza é surpreendente quando se dispõem a observá-la e respeitá-la. A terra é uma mãe e merece ser respeitada e tratada com amor; afinal do equilíbrio da natureza, depende a vida dos seres vivos.

Estas famílias já tinham se organizado a ponto de terem alguns advogados ao seu lado, para defender seus direitos de proprietários, uma vez que já ocupavam a região há vinte anos. Só que infelizmente, a legislação da região ainda não tinha resolvido a questão dos títulos de propriedade.

Pelo contrário, agora tinham uma grande empresa interessada em tomar seus terrenos para expandir o latifúndio de soja. As famílias estavam preocupadas. Já tinham tentado conversar com um dos políticos que costumava defender os direitos à propriedade dos negócios de família como eles possuíam.

Os pais de Cora eram algumas das primeiras famílias a chegarem naquelas terras. Cora tinha participado de inúmeras plantações e colheitas. Chegara até mesmo a aprender a ler e escrever numa pequena escola implantada na região. Depois de pegar o gosto pelo estudo, foi incentivada pelos pais a estudar Direito. Por isso, agora empregava seus conhecimentos para auxiliar o povo com quem vivera.

Cora foi uma das primeiras pessoas a tomar conhecimento dos interesses da grande empresa em estender seus negócios pelo terreno em que vivia sua família. O curioso é que Coralina trabalhava como advogada da empresa, que desconhecia as origens de Coralina, ou mesmo, que seus pais, familiares e amigos viviam e plantavam nas terras de que a empresa queria se apossar. Como era interessante para ela manter a terra e os negócios da comunidade, continuou calada, sem deixar transparecer que estava defendendo seus interesses e não os da empresa. Afinal, aprendera na escola tudo sobre plantação, economia e grandes propriedades, assim como o desgaste que eles faziam no terreno bem como os alimentos tóxicos que vendiam à população.

O que Coralina não tinha aprendido na escola, aprendera com seu povo e alguns especialistas em agricultura que tinham auxiliado o grupo de famílias a plantarem de forma ecológica. Aliás, um dos especialistas em plantação também tinha sido criado pelas famílias rurais. Seu nome era Jorge.

Cora e Jorge foram amigos de infância. Cresceram no meio das plantas e da agricultura. E tinham sido incentivados pelas famílias a estudarem e cuidarem da terra em que eles viviam. Mesmo trabalhando para grandes empresas latifundiárias, como era o caso agora.

Neste sentido, Coralina e Jorge se uniram, e procuraram provas de que a grande latifundiária realmente envenenava a população utilizando pesticidas tóxicos e produzindo alimentos transgênicos. Então, procurando proteger suas famílias acuadas agora a deixar suas propriedades, Cora e Jorge pesquisaram sobre a produção da empresa bem como o consumo de seus alimentos e o grande número de pessoas que sofriam de câncer ou outros males justamente causados pelo descuido da grande empresa.

Os dois jovens adultos procuraram provas e informações através de outros colegas e cientistas que podiam provar o perigo causado pela empresa. Juntaram a quantidade de provas o suficiente, procuraram a população atingida e abriram uma ação contra a empresa, no mesmo momento em que esta abria uma ação de despejo contra as famílias.

Mesmo juntando provas e tendo milhares de doentes devido ao descuidado da empresa. Cora e Jorge precisaram pedir o auxílio de políticos do PSOL e do PT. Os políticos visitaram o terreno das famílias, observaram o cuidado com que os alimentos eram produzidos, visitaram a grande empresa, chamaram os jornalistas e fizeram um enorme alarde, não apenas na região, como no Estado e no Governo Federal. A ponto de que os habitantes das cidades saíram em passeata juntos com os trabalhadores do campo que faziam parte da agricultura familiar.

A manifestação foi tão grande, que acabou por chamar a atenção de milhares de pessoas, que já cansadas por comer alimentos venenosos, obrigaram o governo federal a votar uma PEC para conceder definitivamente a propriedade de terra a famílias que como eles plantavam e cuidavam do planeta. Esta medida acabou influenciando outros países e todos passaram a conceder os títulos de propriedade àqueles que realmente trabalham e produzem. Esta era a reforma agrária que a população desejava.

No final, Cora deixou o emprego na empresa e seu chefe muito aborrecido e frustrado comentou que na realidade, Coralina era uma cobra coral venenosa. Bonitinha e perigosa. Cora sorriu e explicou que quando sua mãe estava grávida, foi mordida por uma cobra coral. Ela e seu pai ficaram apavorados. Pediram ajuda ao caminhoneiro para levar sua mãe ao hospital. Eles não tinham muita certeza se a coral era venenosa ou não. Porque é muito comum a confusão!

No final, sua mãe voltou do hospital com Coralina nos braços, que antes da mordida deveria se chamar Alina. Cora apenas respondeu que também não sabia de seu veneno, até conseguir ajudar sua família. Só então, o chefe descobriu que Coralina fazia parte das famílias agricultoras.

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