Cavando Ideias – O menino Yago de Jorge Silva

Cavando Ideias – O menino Yago de Jorge Silva

Silvia Ferreira Lima
Fotografia de Raquel Pfutzenreuter

 

 

 

 

Cavando Ideias – O menino Yago de Jorge Silva e sua lição de vida e marketing

Cavando Ideias - O menino Yago de Jorge Silva
Cavando Ideias – O menino Yago de Jorge Silva

Jorge Silva é um jornalista carioca, morador da Zona Oeste do Rio de Janeiro, frequentador da livraria Leitura, que atualmente trabalha em home office. Eu o descobri pelo Instagram @autorjorgesilva, seguindo seus curtos vídeos e postagens para divulgar seus livros. Em muitos, ele aparece na livraria Leitura, acompanhado da filha Sofia. Em tempos de pandemia, mais do que nunca, ser um autor independente é aproveitar cada momento para divulgar seu trabalho. Isso ele afirma ter aprendido em lições de Marketing. Eis a lição de vida que Jorge Silva nos passa: se você acredita no seu trabalho, invista nele porque é o melhor jeito de ser lido. Afinal, é isso que o todo escritor deseja.

Na Live que fizemos no Instagram, Jorge nos conta que lançou seu primeiro livro Menino Yago (2004); o qual já teve três edições. Ele divulgou na livraria Leitura, que oferece um espaço especial para os escritores independentes no Rio de Janeiro. Informa que o livro surgiu de sua experiência numa ong, com um Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, lugar onde encontrou crianças vivendo nas mesmas condições do protagonista do livro. Afirmou que resolveu estudar jornalismo depois disso, para estudar outros gêneros textuais e poder informar melhor os leitores das condições nas quais crianças como o personagem Yago vive.

Neste livro, Jorge conta a história de uma família que vive no terreno de um cemitério, pois seu avô é coveiro. A família se muda para uma cidade, bem mais barulhenta. Nesta vizinhança, descobrem que Yago não vai para a escola, porque precisa trabalhar. Uma professora preocupada, a Dona Silvia, depois de descobrir que Yago não vai à escola, procura convencer a família a deixá-lo estudar. Este foi o início de Jorge Silva com a narrativa para crianças: mostrando ao leitor a realidade de crianças que não frequentam escola porque precisam trabalhar.

Em 2005, 2006, Jorge vai estudar jornalismo para entrar no domínio de outras narrativas, encontradas nos diversos meios de comunicação.  Seu amigo alunos de mestrado e primeiro leitor de Jorge, incentiva-o a publicar sua história e faz o prefácio de seu primeiro livro. O mesmo amigo sugere que ele faça releitura de clássicos, como os contos de Franz Kafka, que Jorge reescreve num exercício. Isto serve como impulso para que reconte Alice no País das Maravilhas, um clássico de Lewis Carrol.

Alice no País dos Perdidos

Divulgação

Alice no País dos Perdidos une outros personagens infantis além de Alice, Ada e Mabel, que estão no submundo. Jorge acrescenta o personagem Oliver, de Oliver Twist. Observando que cada capítulo de Alice no País das Maravilhas é uma narrativa completa, como um conto; Jorge expande estes capítulos e explora os personagens de outra forma. Coloca o coelho rosa como o vilão, mostrando para crianças que nem tudo o que reluz é outro. Alice no País dos Perdidos é inspirado no universo de Lewis Carrol, mas fica ampliado por Jorge, que para ilustrar o livro encomendou dez imagens de um ilustrador, colocou sobre isopor e decorou a vitrine da livraria. Ele escolheu o Chapeleiro saindo de um quadro. Esta imagem chamou a atenção de Jorge Silva e o inspirou a desenvolver o personagem do Chapeleiro para outro livro.

O autor nos conta que já vendeu mais de quatrocentos exemplares, porque ele vai às livrarias, aborda os leitores e os convence a comprar. Jorge afirma que o escritor precisa ser empreendedor. O tempo em que narra seu processo de escrita e venda dos livros, ele nos dá uma lição de vida e de marketing. Lembra que já trabalhou como vendedor, resgatando esta experiência para vender seus livros.

Conta que no Rio de Janeiro só havia uma livraria Leitura na Zona Norte do Rio. Um mês depois que eles abriram uma Leitura no Campo Grande, bairro da Zona Oeste do Rio; Jorge ofereceu uma parceria para a Livraria Leitura, conseguindo fazer o lançamento de seu livro. Detalha que levou cinquenta exemplares e vendeu trinta. Isso porque se inspirou no trabalho de Talita Rebouças, escritora que ia todo final de semana para a livraria e divulgava seu livro. Jorge conta o que aconteceu com a popularização das mídias sociais. Fazendo com que ele passasse a ter a concorrência dos youtubers (autores que surgiram a partir das mídias sociais). Menciona que criou um canal no Youtube em 2008. Mas como ter acesso a câmeras não era tão acessível, ele abandonou a experiência.

Porém, quando surgiram os celulares smartphones para facilitar a produção de imagens e sons, já tinha um grande número de produtores. Confessa que se tivesse investido mais tempo no Youtube, no início, já teria o sucesso de um youtuber. Aconselha-nos que o autor seja um escritor/empreendedor. Afinal, afirma que seu lucro é obtido com cada leitor que conquista e não o dinheiro que recebe com isso. Menciona que quando se tornou um escritor independente deixou de lado a procura de grandes editoras. Afinal, ele deseja tornar sua escrita um motivo de prazer e não pensar em lucro.

Para ele, temos um smartphone com uma câmera que podemos utilizar a nosso favor. Fala que ninguém imaginava a popularização das Lives, o que só se assistia em séries de ficção científica como a Star Track. Hoje, o google nos dá toda informação desejada, que somente era possível em idas a bibliotecas. Comenta que o livro Eu me chamo Antônio de Pedro Gabriel, com quem trabalhou no Peixe Urbano, um site de consumo coletivo que acabou fechando. Pedro Gabriel conseguiu abrir espaço para divulgar seu nome nas mídias. Tanto que em 2013, tinha 40 mil seguidores no Instagram e fechou contrato com a Editora Intrínseca, transformando seu livro em Best Seller.

Jorge conta que sua lógica é o texto narrativo e não a escrita com a imagem, como o caso do autor acima. Comenta como a imagem virou primazia. E como Machado de Assis, por exemplo, passou a ser lido, utilizando a mídia, publicando em jornais. Hoje é um clássico, porém no século XIX era um autor popular. Falou do poder do texto até para as telenovelas; afirmando a primazia do texto até para virar imagens visuais, como:  filme, telenovela, séries, peças teatrais, etc. Qualquer outro meio marcado pela visualidade. Aliás, a leitura do texto também é visual. Sendo diferenciada a cada mídia para a qual o texto seja utilizado. Jorge Silva já escreveu peça teatral, roteiro de telenovela, sendo preparado para isso no seu curso de jornalismo.

Alice no País dos Esquecidos

Jorge Silva e o livro Alice no país dos esquecidos

Depois de Alice no País dos Perdidos (2012), Jorge escreveu Alice no País dos Esquecidos (2013), com os mesmos personagens: Alice, Ada, Mabel e Oliver. O Chapeleiro entra e sai do ambiente num portal/cabine telefônica. O País dos Esquecidos seria uma releitura de Alice Através do Espelho, em que ela vai para o mundo subterrâneo ou o inferno. Em 2017, o protagonista é o Chapeleiro, ele que vai derrotar a Rainha Má, contando para a vilã histórias sem fim. É a metáfora masculina da Sherazade de As mil e uma noites _ que se mantém viva porque é uma contadora de histórias. Ou ainda a tecelagem de Penélope, esposa de Ulisses, que tece e destece (texto possui a mesma origem etimológica de tecido) mantendo seus pretendentes afastados até o retorno do marido. O Chapeleiro seria a metáfora do escritor. A ilustração da capa do livro mostra uma máquina de escrever antiga, utilizada pelo Chapeleiro. Nas obras de Lewis Carrol, apesar da força do Chapeleiro, ele só aparece em dois momentos da história. Tim Burton constrói uma história para o Chapeleiro em seu filme Alice através do Espelho.

Jorge afirma que, coincidentemente, em seu livro o Chapeleiro brinca com o tempo. Assim, como no filme de Lewis Carrol, existe um Senhor Tempo. Até parece que Tim Burton tinha lido o livro de Jorge Silva. Consideramos uma sintonia no que diz respeito à força do personagem do Chapeleiro. Explorado por Jorge Silva em seu livro Diário do Chapeleiro no país das maravilhas, uma narrativa em formato de diário. Jorge quis que o Chapeleiro fosse um personagem mais jovem e aventureiro, não o personagem inspirado no pai de Alice, conforme Lewis Carrol, ou mesmo Tim Burton, colocam para o personagem do Chapeleiro.

Divulgação

Jorge Silva comenta que deixa as características físicas para serem imaginadas pelo próprio leitor. Esta característica em suas obras foi inclusive questionada pelo ilustrador que Jorge convidou para ilustrar seus livros. Isto fez Jorge tomar consciência de como e porque ele escreve, sem detalhar fisicamente os personagens. Sempre procura dar espaço para a interação do leitor.

Jorge Silva confessa o quanto a estrutura narrativa está presente, mesmo no seu trabalho de conclusão de curso, que deu origem a seu livro Cidadão Jornalista, no qual trata de todas as mídias, suas características e processos de produção. Hoje ele diz que tem consciência da diferenciação dos gêneros textuais e sua utilização de acordo com os objetivos ao escrever e o leitor para o qual se dirige. Afirma que é importante não possuir preconceitos com relação às diferentes mídias ou leituras. Oferece a dica para ser um bom escritor: não seja vítima de preconceito, mas leia tudo.

Então fala da importância de ler a história de empreendedores, como chegaram ao sucesso. Nota que não podemos menosprezar o empreendedor porque ele gera emprego.

Cavando Ideias - O menino Yago de Jorge Silva
Jorge Silva

Os livros de Jorge Silva somente estão disponíveis em formato digital para outros locais que não no Rio de Janeiro. O livro físico somente está disponível com o autor, que até agora não conseguiu acertar uma boa distribuição para os volumes. Ele já vendeu todas as edições, então em papel existe apenas na livraria Leitura no Rio de Janeiro: Diário do Chapeleiro no país das maravilhas e Alice no país dos perdidos. Para conseguir o livro físico, ou deve-se procurar na livraria Leitura no Rio de Janeiro, ou entrar em contato com o autor, que disponibiliza pelo correio. Como autor independente fica difícil a distribuição de seus livros.

Cavando Ideias - O menino Yago de Jorge Silva
Divulgação

Jorge Silva fala que, embora tenha mil e poucos seguidores no Instagram, ele ainda é um escritor desconhecido, então precisa divulgar seu nome. Para ele, o formato digital é um trabalho de formiguinha, mas é mais rápido do que a divulgação analógica. Diz que quando sai do universo analógico para o digital, ele acessa pessoas que falam português no mundo inteiro. Narra a vida de Rick Shester que usava um smartphone com uma câmera para transmitir conteúdo. E hoje passa lições de marketing digital. Rick Shester afirma que seu primeiro vídeo da água foi visto na praia por um famoso que divulgou seu papel. A partir daí, ele adquiriu fama e hoje tem milhões de seguidores.

Finaliza seus comentários com o trabalho de Érico Rocha sobre o empreendedorismo digital. Sugere o conhecimento de sua teoria, que por outro lado influenciou a vida de um aluno, professor de Inglês, que criou uma empresa produzindo conteúdo no universo digital. Diz que o mais importante é ter conteúdo e saber utilizar as mídias.

Esta foi a lição de vida e de marketing que nos ofereceu Jorge Silva, quando conversamos numa Live e que achamos importantíssimo divulgar, para, quem sabe, auxiliar outras pessoas a também serem empreendedoras, colocarem seus conteúdos na internet, conseguirem adquirir uma maior número de leitores _ no caso dos autores de livros _ ou ainda, criarem suas empresas e negócios.

Vídeos de Jorge Silva

Menino Yago 

 

 

 

Acesso aos livros digitais

Alice no país dos perdidos. Clique aqui.

Alice no país dos esquecidos. Clique aqui.

Diário do Chapeleiro do país das maravilhas. Clique aqui.

Menino Yago. Clique aqui.

Cidadão jornalista. Clique aqui.

Live com Jorge Silva. Clique aqui.

Silvia Ferreira Lima escreveu “Cavando Ideias – O menino Yago de Jorge Silva” para publicação em sua coluna semanal na Expedição CoMMúsica.


Expedição CoMMúsica

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