Cavando Ideias: Lúcia Moyses seu trabalho e seus dez livros

Cavando Ideias: Lúcia Moyses seu trabalho e seus dez livros – psicóloga, neuropsicóloga e escritora

Silvia Ferreira Lima
Fotografia de Raquel Pfutzenreuter

Cavando Ideias: Lúcia Moyses seu trabalho e seus dez livros

Texto de Silvia Ferreira Lima para a Expedição CoMMúsica. Silvia escreve sua coluna todas as sextas-feiras.

Lúcia Moyses chamou minha atenção pelos livros publicados pela Editora Scortecci, enquanto eu mesma procurei a editora para publicar mais um dos meus. Não apenas isso, aliás, este foi o gatilho: psicóloga, neuropsicóloga e aluna de linguagem circense. Isso apenas para resumir a pessoa interessante que conhecemos quando falamos com ela. Começamos a segui-la pelo Instagram @lucia.moyses e a convidamos para uma Live gravada no Instagram, que se pode encontrar no IGTV, clicando aqui.

Pessoa alegre, sensível, otimista, uma conversa com ela foi uma experiência maravilhosa e um aprendizado. É claro que sempre procuro um aprendizado! E justamente por isso resolvi escrever esta matéria; para não deixar a aprendizagem só para mim, mas para divulgar o trabalho da Lúcia, sua especialidade e seu livros, que divulgam de forma interessante, curiosa e acessível dez distúrbios neuropsicológicos do ser humano. Com certeza, se o leitor não precisar destas informações, conhece ou convive com alguém que precisa. Trato da coleção de dez livros, que a autora denominou a série como DEZ equilíbrios; justamente para tratar dos dez distúrbios neurológicos.

Lucia Moyses

A autora escreveu seus livros como suspense, em que o diagnóstico e a identificação dos distúrbios são dados pela protagonista, uma médica psiquiatra. No entanto, o diagnóstico destes distúrbios pode ser realizado pelo neuropsicólogo, que os identifica e passa o contato do psiquiatra, a fim de que este médico possa recomendar determinados medicamentos que possuem como função trazer aos pacientes, ou clientes, um equilíbrio químico, a fim de que o mesmo também possa realizar um tratamento emocional ou psicológico. Este tipo de trabalho é muito comum para auxiliar as crianças na escola, como as que possuem TDAH, entre outros tipos de distúrbios que aparecem entre os 10 e 25 anos. Normalmente são herdados, são distúrbios cuja fonte está no cérebro e que podem ser tratados com o auxílio de remédio, bem como, com o auxílio de psicoterapia.

Lucia Moyses já publicou doze livros, pois já gostava de escrever há bastante tempo. Lançou dois livros: um de psicologia (apesar de não ter linguagem técnica). O outro livro é um romance contado do ponto de vista dele e do ponto de vista dela. É a mesma história sob dois pontos de vista. Estudou neuropsicologia e quando terminou se aventurou em transtornos mentais. O primeiro livro da coleção: Por todo o infinito, (2016) no início era um livro solto, sem fazer parte de coleção. Então veio Só por cima do meu cadáver (2016). Também sobre um transtorno. A partir daí, veio a ideia de escrever vários livros, com histórias independentes, sobre os transtornos. Depois recebeu a sugestão do marido de escrever dez livros sobre os desequilíbrios. Um trocadilho de dez livros, cada um sobre um transtorno mental, ou DEZ equilíbrio. A protagonista é a Drª Renata, uma psiquiatra, que mantém a relação entre todos os livros. Apenas a história dela fica pendente. Aparentemente não tem fim, porque a história da protagonista realmente não termina. Entretanto, cada transtorno tem um final.

Pelas pistas dadas, o leitor tenta descobrir qual é o transtorno e o descobre antes de acabar o final. Os vilões são os transtornos, o final se dá pelo tratamento neuropsicológico e psiquiátrico, que não vai terminar, apenas vai indicar a necessidade de tratamento. Mas a história da Dr.ª Renata só termina no último livro. Porém, a coleção pode ser lida em qualquer ordem. Neste caso, foi o próprio enredo que tomou força e despertou o interesse do leitor.

Lúcia Moyses disse que utiliza diferentes linhas de tratamento psicológico, conforme vai observando o cliente e suas necessidades, sem exclusividade à linha psicanalítica freudiana. Afirmou que teve formação em Psicanálise Freudiana, mas acha todas as linhas fantásticas e diz que o cliente é quem acaba precisando seguir uma linha ou outra. Ela conta que os transtornos os quais relata são importantíssimos para a sociedade conhecer. Porém, ela não adianta quais são os distúrbios. Disse que são importantíssimos mesmo quando são fáceis de reconhecer. Ela continua descrevendo os sintomas para se aprofundar no que um cliente pode esperar. Lúcia afirma que as leituras são leves, os livros são fininhos, logo são fáceis de se ler. Entretanto, as histórias são densas devido aos problemas pelos quais passam os personagens. Principalmente o Por todo infinito (2016), um livro que possui gatilhos, há certos tipos de pessoas para as quais não se aconselha a leitura.

Mas a escritora afirma que se a pessoa descobre antes as características destes transtornos será melhor tratá-lo o quanto antes. Para todos os transtornos há tratamentos possíveis e podem ser resolvidos. Seu intuito é facilitar para que o paciente possa pegar as coisas logo no começo e quanto mais cedo identificar melhor. Mesmo assim, ela afirma que é uma romancista, logo há finais trágicos e finais mais alegres para os livros. E enfatiza que o quanto antes os sintomas forem identificados melhor o tratamento.

Diz que em alguns livros os sintomas são tão simples e é tão fácil diagnosticar que logo no início os leitores descobrem de que se trata. No entanto, as leituras são leves, mesmo para quem não entende nada de psicologia. Conta que as leituras são rápidas, no entanto os livros são densos justamente porque os transtornos são os vilões. Mesmo quando o leitor se identifica com os transtornos, o leitor começa a descobrir que ele tem um problema semelhante. Ainda assim, Lúcia afirma que em alguns casos há gatilhos e se recomenda que se a pessoa tiver muita sensibilidade, ela sugere que não leia. Entretanto, todos os transtornos _ mesmo quanto o final é trágico_ têm jeito, e a descoberta logo no início torna o prognóstico tanto melhor.

Às vezes, o leitor pode acabar identificando problemas de um familiar, uma filha, um vizinho, alguém que a pessoa conheça, justamente porque a autora descreve todos os sintomas, ou quase todos. Assim, o prognóstico se torna mais fácil.

Afirma que um final pode ser trágico e outro não, justamente porque a autora faz romances, ficções a partir de questões muito sérias e importantes. Lúcia Moyses comenta que os transtornos possuem causa genética e/ou ambiental e/ou causados no desenvolvimento; logo a própria sociedade possui responsabilidade nestas questões conflituosas. Segundo psiquiatras os psicopatas, por exemplo, nascem assim, devido à sua constituição cerebral. Então, cita os exemplos dos psicopatas, que já nascem sem uma parte importante do cérebro, mas dependendo do ambiente, ele pode não se tornar tão destrutivo. Consequentemente, o ambiente influencia, tornando o transtorno menos perigoso. Conta que os psicopatas não fazem conexões emocionais. Afirma que o ambiente pode causar ou piorar aquele transtorno. Então, ela descreve no livro o ambiente; justamente para explicar o que é crescer neste contexto.

Moyses afirma que sua esperança é que as pessoas leiam, fiquem curiosas e vão buscar explicações sobre os problemas. Em 2016, ela lançou os três primeiros livros. Em 2018 lançou mais três livros. E no final de 2020 início de 2021, ela lançou os outros quatro volumes. Quando estava lançando os últimos da coleção, já estava terminando de escrever o livro da sequência.

Lucia afirmou que se considera ruim de marketing. Afirmou que não gosta de vender, que se trabalhasse com uma editora que lançasse e divulgasse, seria perfeito. Disse que usa o Instagram para divulgar seus livros; mas já teve feedbacks excelentes, outros foram bons, mas também já ouviu críticas: como a falta de diversidade social. Só que transtorno não tem diversidade social. Não importa qual a classe social ou as condições econômicas da pessoa, as características dos transtornos são as mesmas. Ela comentou que não piorou as condições sociais dos personagens porque não se preocupou com raça, idade, condição social, religião, porque transtorno não considera isso. Mesmo assim, afirmou que a partir de então já vai se preocupar com a diversidade social quando escrever seus próximos romances.

Afirmou que deu de presente alguns livros para amigos que fazem circo com ela e eles ganharam o primeiro e acabaram comprando os outros nove. Seus amigos ganham, compram, leem e compram os seguintes. Ainda assim, comenta que tem vendido muito pouco. Como todos os escritores, deseja que as pessoas leiam seus livros; por isso não se importa em dar de presente. Mas que gostaria, é claro, de vender melhor.

Fotografia: Silvia Ferreira

Lamenta a perda de hábito de leitura de muitas pessoas. Contando que ouviu uma pessoa no Instagram apresentando um livro que não tinha lido, enquanto tinha assistido à série no Netflix. Achou isso triste!

Faz parte da coleção DEZ equilíbrios: Por todo o infinito (2016) – que começa com a protagonista Adriana acordando um dia sem lembrar quem era ou onde estava; Só por cima do meu cadáver (2016) _trata de Marcela e Edu, estudantes de Direito, que se apaixonam e são obrigados a casar devido ao empenho do pai da moça; Uma dose fatal (2016) fala de Tatiana que toma uma overdose de remédios para se matar; A mulher do vestido azul (2018) que fala do amor de Rafaella e Fábio que pareciam predestinados até que aparece outra mulher; Não me toque (2018) que trata de um menino superprotegido e mimado que não consegue lidar com a frustração; Um copo de veneno (2018) trata de Sabine, seu romance e infortúnio e o início da terapia, a qual ainda tem dúvidas se poderá ajudá-la ou não; A Outra (2021) em que Amanda é assassina ou vítima é a pergunta que começa o livro; Sonhe Comigo (2021) em que a amizade de Raquel e Andressa acaba por causa de Júlio até que depois de muito tempo se encontram e o jogo vira; Alucinadamente (2021) que conta da volta de um amor antigo para a vida de Sarah e Réu Confesso (2021) que trata de um homem, uma mulher, um casamento e a confissão de um crime. Todos publicados pela Editora Scortecci .

Fotografia: Lucia Moyses

Além disso, Lucia Moyses publicou: Você me conhece? (2013) E viveram felizes para sempre (2015). Todos os volumes podem ser encontrados no site autografados.

Conhecer uma pessoa gentil, otimista e ao mesmo tempo uma profissional séria, psicóloga e neuropsicóloga que pode auxiliar, principalmente, neste momento de pandemia, é uma necessidade imediata. Seu contato também pode ser conseguido no Instagram @lucia.moyses e seu site www.luciamoyses.com.br

Cavando Ideias: Lúcia Moyses seu trabalho e seus dez livros. Texto da coluna semanal de Silvia Ferreira Lima para a Expedição CoMMúsica.


Expedição CoMMúsica

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