Banana Feijão: artes gráficas, poesia e história

Banana Feijão: artes gráficas, poesia e história

Banana Feijão: artes gráficas, poesia e história

Banana Feijão é um livro escrito por Juliana Pithon com versos em que predominam a aliteração e a assonância; contextualizado na história brasileira, principalmente no início da ditadura e nos movimentos sociais e estudantis da década de 60. O design e ilustração deste livro adulto foi realizada por Maria Carolina Marchi, lançamento da Editora Urutau, em 2021.

Mais uma vez comprei um livro em pré-venda e não me arrependi. Em todos os sentidos, é um livro muito bonito. Justamente o que tenho dado mais atenção ultimamente: um livro que reúne artes gráficas e literatura. Claro que neste caso também há todo um contexto histórico-social- brasileiro de grande importância. Principalmente, quando podemos identificar características ditatoriais no contexto político brasileiro.

As imagens remetem à Tropicália, movimento cultural e musical muito importante no Brasil. Do qual fizeram parte importantes músicos brasileiros, como: Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Rita Lee e os Mutantes, Torquato Neto, Gal Costa, Nara Leão, Tom Zé, entre outros.

Obras que também marcaram o período foi O Rei da Vela, obra de Oswald de Andrade, encenada no  Teatro Oficina; os Parangolés de Helio Oiticica e o filme Terra em Transe de Glauber Rocha. Todas estas obras, performances, marcaram o período, que levou preso Caetano Veloso e Gilberto Gil, além de outros. Muitos foram torturados e não voltaram a ser os mesmos, como Torquato Neto.

Alguns trechos de todos estes eventos são escritos por Juliana Pithon, que escolhe as aliterações e assonâncias para manter a sonoridade e o ritmo do que a mesma denomina Carnaval. E que realmente tem relação com o nosso Carnaval, nossa Festa Popular Brasileira. Juliana mantém a sonoridade, como se a festa popular bakhtiniana sempre ocorresse e de certo modo nos fortalecesse como ocasião para nos expressarmos livremente com relação às nossas esperanças, desejos, filosofias de vida.

Banana e Feijão parecem não se misturar, porém a banana é um fruta muito comum no Brasil, assim como o feijão que sempre ocupa os nossos pratos. Unir os dois foi uma contribuição da cultura africana escravizada e trazida ao Brasil, e a cultura italiana, que chegou fugindo da fome e da guerra na Europa. No Brasil, a banana e o feijão passaram a ser pratos populares e a contribuir com a alimentação do povo. Misturar os dois é semelhante à proposta da Carnavalização ou do Tropicalismo, que já sugeria uma mistura de alimentos, comportamentos, festas e rituais que passaram a caracterizar nossa cultura.

Banana Feijão é um livro muito bonito! Nós podemos apenas folhear, assim como podemos ler, seguindo uma sequência de páginas ou escolhendo aleatoriamente. Tudo tem uma relação com o Tropicalismo e o contexto popular brasileiro de seu surgimento. Na música popular, este movimento contribuiu com músicas que marcaram nossa cultura e nacionalidade definitivamente. E do mesmo modo, marcou a sociedade brasileira, com a violência, prisão e tortura de inúmeros jovens estudantes que só desejavam liberdade de expressão.

Até hoje, estas prisões marcaram a sociedade e traumatizaram mães, pais e familiares que nunca mais conseguiram localizar seus filhos, ou acabaram encontrando seus corpos, identificados apenas pela arcada dentária.

Juliana Pithon consegue enfatizar a festa, o movimento, a alegria e a carnavalização. Assim como Maria Carolina consegue trazer páginas alegres e ricas de elementos da nossa cultura. Neste livro, encontram-se profundamente relacionadas as artes visuais e verbais, enfatizando como um livro bonito é aquele que consegue relacionar ambas as artes a fim de guardar como tesouro cultural texto importante e sonoro com imagens bonitas e marcantes.

Vale a pena pedir na editora Urutau e discutir, conversar, trocar ideias sobre os significados que cada página pode trazer ao leitor. Minha postura pedagógica discutiria pausadamente cada página pois há muito a ser pensado e refletido, sempre pressupondo a construção de uma sociedade e um mundo melhor.

A imagem foi tirada da capa do meu livro. Boa leitura!!! 😉

Onde comprar:

Editora Urutau


Manifesto da Expedição CoMMúsica

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