A demência de Britney Spears durou 13 anos

A demência de Britney Spears durou 13 anos

A demência da cantora pop Britney Spears durou 13 anos, 2008/2021, e sua história é investigada em documentário exibido pela Netflix. A jornalista Jenny Eliscu e a documentarista Erin Lee Carr investigam as várias tentativas  de Britney Spears para obter sua liberdade pessoal e profissional perante a justiça, através de entrevistas exclusivas e documentos confidenciais.

Muitos críticos apontam o mais do mesmo e desqualificam o documentário e a Netflix por não terem incluído a voz de Britney entre os relatos ou apontam o “colapso mental” dela como se soubessem exatamente o que ocorreu em 2017. Obviamente, são homens que a definem dessa forma. Só falta dizer que ela estava louca em 2017…

Nas críticas que li, nada sobre a questão que envolve o fato de homens terem privado a cantora de sua liberdade pessoal e profissional como um traço marcante do patriarcado, afinal, “os homens são melhores no trato social e não ficam loucos”. (Se você leu alguma crítica nesse sentido ou uma crítica escrita por uma mulher, poste o link nos comentários).

Para entender o patriarcado estrutural, o filme “Britney x Spears” é excelente exemplo.
Britney foi diagnosticada como demente e seu pai assumiu a tutoria de sua vida pessoal e financeira acompanhado de um séquito de advogados.

Britney podia trabalhar e sustentar a todos os homens, mas não podia escolher seu médico, seu advogado, falar no tribunal, escolher as pessoas próximas, com quem trabalharia… afinal, foi considerada incapaz para escolhas, mas plenamente capaz para trabalhar.
Não teve cartão de crédito, acesso aos próprios bens, também não podia escolher quais remédios tomar.
13 anos como “demente”.
Advogados receberam milhões, o pai tinha salário para a tutoria e toda a vida dela foi absolutamente controlada.
Agora, Britney está livre. Aos 39 anos. E talvez possa fazer o que bem entender com os 60 milhões de dólares e com sua própria vida.
Patriarcado estrutural é essa estrutura legal e social que condena mulheres por seu comportamento e pela moral estruturada em valores que os homens exigem das mulheres, proibindo qualquer manifestação contrária. Milhões de dólares serviram para calar a voz dela e encher os bolsos de advogados e participantes dessa história que mal cabe no século XXI, ainda que seja a real para a maioria de nós.
O filme Britney x Spears está disponível na Netflix.
Turnês de Britney, segundo a Wiki:

“A cantora americana Britney Spears já embarcou em 7 grandes turnês, sendo seis delas mundiais. Ficou entre os 25 artistas que mais lucraram com turnês na década de 2000 com cerca de 216.229.560 dólaresarrecadados em 255 concertos, sendo 158 desses com lotação máxima, para 3.704.826 pessoas.[1] A sua turnê mais lucrativa foi a The Circus Starring: Britney Spears que arrecadou 131.8 milhões de dólares em 97 shows, colocando-se na quinta posição entre as turnês mais bem sucedidas de 2009.[2] Essa também foi a quarta turnê mais lucrativa na América do Norte em 2009, faturando 82.5 milhões de dólares em 61 shows.[3][4]A digressão seguinte, Femme Fatale Tour, arrecadou 68.7 milhões de dólares em 79 concertos e terminou o ano de 2011 como a 11ª mais bem sucedida.[5] Em maio de 2010, Britney possuía duas das quinze turnês femininas mais lucrativas da história, a Dream Within a Dream Tour na 12ª posição e a The Circus Starring: Britney Spears na 5ª.[6] O maior público da sua carreira foi de 250 mil pessoas em um concerto realizado no Rock in Rio em 2001.[7]

Em dezembro de 2013, Spears iniciou um concerto de residência no hotel Planet Hollywood, intitulado Britney: Piece of Me. Prevista para durar até dezembro de 2015, a série de espetáculos foi prolongada até 2017 devido ao sucesso.[8] A revista Billboard informou através de uma matéria em seu site que a residência da cantora ajudou a aumentar os lucros anuais do Planet Hollywwod em cerca de 20 milhões de dólares, alterando um panorama financeiro “sombrio”.[8] Após o fim da residência, a Billboard divulgou que a arrecadação nos 248 shows foi de 137.7 milhões de dólares, com base em um total de 916.184 ingressos vendidos.[9]“”

Tirar a liberdade de uma mulher, usando recursos judiciais, é a fórmula que a sociedade encontrou para segurar “as loucas” e mantê-las sob o domínio de homens, assegurando acesso pleno aos seus bens e à sua própria vida.

Elizabeth Del Nero


Manifesto da Expedição CoMMúsica

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