Cavando Ideias • No Racismo da Cabeleireira

Cavando Ideias • No Racismo da Cabeleireira

A cabeleireira

Cavando Ideias • No Racismo da CabeleireiraEste é o título deste conto, por ter acontecido numa cabeleireira, porém  já mudei o título do que está onde o conto se publicou devido ao que vem à mente hoje em dia. Abaixo um citação de Hegel, um grande filósofo da dialética. Temos que pensar em todos os pontos de vista. E embora na atualidade existam outras versões filosóficas que identificam uma pluralidade de visõe diferentes, com certeza, Hegel foi o primeiro responsável sobre isso.

 

“…não se trata de saber como se originou a sociedade…Trata-se de desenrolar o fio dialético da experiência…” (Hegel)

 

O destino vem penteado.

Naquele dia, fui ao cabeleireiro e passei horas sem ser atendida. Estava paquerando um menino da minha classe. Pensei em ficar mais bonita.

Era uma vila pequena, onde todo mundo se conhecia. Encontrei várias professoras e vizinhas no cabeleireiro. Todas chegaram depois e foram atendidas antes. Fiquei sem entender o que estava acontecendo. Mas sempre fui muito paciente, então continuei esperando. Será que é porque vim sem minha mãe?

Mas apareceram outras meninas sozinhas, que chegaram depois de mim, e que foram atendidas antes. O que estava acontecendo? Cheguei lá às duas horas. Já eram quase sete quando a cabeleireira resolveu me atender. Cortou o meu cabelo muito mal,  como seu nariz horroroso.

Quando minha irmã e a vizinha apareceram, a cabeleireira terminava o péssimo serviço. Você trabalha na casa dela? Não. Ela é minha vizinha. Nesta hora, eu percebi o que se passava. Como eu estava com jeans desbotados e chinelos havaiana, a cabeleireira preconceituosa  julgou que eu fosse uma empregada doméstica. Imagino que além de preconceito esta foi uma atitude racista, afinal, nunca fui muito branca.

Uma vez, quando fui fazer a carteira de identidade, meu pai ficou muito bravo porque o funcionário da secretaria de segurança queria me registrar como parda. Meu pai ficou indignado, porque tanto ele como minha mãe são brancos. Mas eu e meu irmão sempre fomos muito morenos e queimados de sol. A ponto de considerarem meu irmão um árabe, quando viajou para a Espanha. Sinceramente, nunca levei nada disso muito a sério, mas com certeza, fui vítima de preconceito e racismo, várias vezes na vida. Esta foi apenas uma delas.

Fiquei somente pensando se por acaso  as domésticas não têm o direito de ir à cabeleireira. Se por acaso seu dinheiro vale menos.

Depois descobri que o marido da cabeleireira era funcionário do meu pai. Ironia da vida. E acho que quem ficou pior na história foi a cabeleireira. Hoje eu só digo que foi uma atitude racista e que, se fosse hoje, eu a denunciaria. Mas o fato ocorreu no início da década de oitenta. Então, eu só digo que é muito bom, os conceitos sociais terem mudado e já podermos mandar prender alguém racista e preconceituoso. Neste ponto, o mundo está bem melhor!

Colegas leitores, o texto acima está no meu O Livro da Hipnose ou Estados de Consciência, que foi publicado em 2020, pela Editora Voz de Mulher. Porém, os contos deste livro demoraram uns trinta anos para serem escritos e quarenta para serem publicados.

 

Boa leitura! 😉

Para saber mais sobre o Livro da Hipnose Ou estados da Consciência, leia aqui.

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