Estação Black • Racismo não – a luta não para

Estação Black • Racismo não – a luta não para

Por Marcelo Kurts

Salve simpatia !  

Após logo tempo sem escrever por conta de problemas de ordens pessoais estamos de volta e o tema de hoje será Hip Hop na luta contra o racismo.

Estamos num começo de ano conturbado onde presenciamos a eminência de mais uma onda de propagação do coronavírus no mundo, desabamentos de casas por conta de chuvas e, sobretudo,  por ações de racismo.

Na semana passada, vimos em noticiários do Brasil uma ação de racismo provocada pelo presidente da Câmara Municipal da cidade de Embu das Artes, o vereador Renato Oliveira disse a um cidadão carioca não gostar de negros, pois negros fedem.

O racismo, doutrina que fundamenta o direito de uma etnia, vista como pura e superior  dominar outras etnias é algo a ser combatido a todos os instantes e em todas as esferas da sociedade.

No Brasil o racismo é fruto do período colonial escravocrata estabelecido pelo portugueses colonizadores, algo que se alastra pelo país desde os primórdios da história.

A música Rap originada nos EUA, surgiu na metade dos anos 70 em meio ao período de segregação racial ocorrente no país. O Rap, elemento musical da cultura Hip Hop representa a voz do jovem excluído, seja no Brasil, EUA, Chile ou qualquer jurisdição.

Jovens se dedicam em transmitir mensagens de denúncia, autoafirmação e esperança a um povo que sofre por conta das mazelas deixadas pelos governos.

The message (a mensagem) gravada por Grand Master Flash and Furious Five é considerado o primeiro Rap da história do Hip Hop a denunciar o racismo e a brutalidade policial nos guetos de Nova York.

Não tem como falarmos de racismo e brutalidade policial e não nos lembrarmos dos grupos NWA e Public Enemy que entre o final dos anos 80 e metade dos anos 90 fizeram denúncias contundentes através de letras quilométricas que se tornariam clássicos.

Chuck D. líder do Public Enemy é visto como um dos principais MCs de Rap a dar voz ativa aos negros para dizerem não ao racismo. Chuck e Flavor Flav são responsáveis pela clássica Fight the power (combata o poder) que se tornou trilha sonora do filme Faça a coisa certa, de Spike Lee.

No Brasil, o ponta pé inicial contra o racismo, na música Rap, fora dado pelo Rap da Abolição do grupo Os Metralhas, essa canção se tornou hit dos bailes Blacks de SP em 1989 e a primeira a abordar o tema dentro desse seguimento musical.

No começo dos anos 90, influenciados pelo NWA e pelo Public Enemy, grupos do Brasil como Racionais MCs, DMN, Câmbio Negro, Face Negra, MT Bronxs, Fatos Reais, Vítima Fatal entre outros, defendiam a bandeira de luta contra o racismo, tendo sido gravados inúmeros clássicos da música Rap.

O tema atualmente é pouco abordado no Rap, mas o racismo é contínuo, uma praga que se alastra de geração para geração. O jovem negro é o mais afetado pelo racismo, a mulher negra é a maior vítima da sociedade racista e machista.

Que saudade de uma época não muito distante onde o DJ KL Jay denunciava na TV a farsa da comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil, algo que quase não se vê no atual Hip Hop, pois o HYPE é mais importante, Public Enemy já cantava nos anos 90 em Dont believe the hype (não acredite no hype).

Em tempos onde um vereador (representante do Poder Legislativo) comete uma ação de racismo abusando de seu poder, o Hip Hop não pode abaixar a cabeça e fazer de conta que tudo está normal.

Roupas caras etiquetas não valem nada

    Se comparadas a uma mente articulada

    Contra os racistas otários é química perfeita

    Inteligência e um cruzado de direita

    Será temido e também respeitado

    Um preto digno e não um negro limitado … (Racionais MCs, Raio X do Brasil,1993)

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