Doogle homenageia Dina Di • ícone do rap nacional

Doogle homenageia Dina Di • ícone do rap nacional

Doogle homenageia Dina Di • ícone do rap nacional
Doogle homenageia Dina Di • ícone do rap nacional
Dina Di ocupou um espaço ainda majoritariamente definido por homens e conseguiu expor a realidade da vida de muitas adolescentes e mulheres em suas letras. Em uma delas, Marcas da Adolescência, Dina Di conta uma história que se repete na vida de muitas meninas, afetando todo o seu desenvolvimento e progresso na vida adulta:
Nem toda mulher que ama e correspondida
Pelo homem da sua vida
Eu já fui uma delasBem que te avisei
Desse amor cansei
Dessa vez não tem volta
Não, não, não, não

Há ainda ontem um mano meu me flagrou abatida
No bar embriagada se entregando as bebidas
Vivendo um pesadelo ai pro mês de carnaval
Volvendo do veneno depressivo e pessoal
Emagrecia cada dia mal comia só fumava
Querendo resgata o que já era não dava
A cabula desaba abala os filhos e a mente
A recuperação é lenta
A dor é clara evidente
Ai possivelmente se encontre uma saída
Ou pode ser que o rancor me siga toda a vida
Um gênio forte ai não é segredo
Já tentei muda ao menos pra firma no emprego
Não quero que meu filho me veja nessa situação
Desanda nem pensa, nem cai na depressão e acaba
Nas garras de um filho da puta qualquer de aparência
E não passar tudo outra vez
Eu tinha 13 anos o cara já maior de idade
Um homem forte envolvente
Eu uma idiota, inocente
Simplesmente acreditava em tudo que ele dizia
Foi assim 2, 4, 6 anos e tantos dias
Não, não é você
Nem eu quem pago por esse caso de amor fracassado
Tem gente inocente pagando pelo erro da gente

Eu sou a mãe do seu filho
Que você nem viu crescer
Nunca se quer deu valor
Nem quis saber de entender
Ehh a dor dos meus pais
Os meus irmãos tem mais
Sete anos em cana
As correrias cigarros e grana
Sozinha esperava sua liberdade
Você já na primeira oportunidade
Me troca por vagabundas e farras
Pelas noitadas te bares
Uma carreira com um tiro de coca, o crack é foda

 

Refrão
O mundo da tantas voltas
Geram problemas as consequências,
eu já senti
Marcas da adolescência

Vou dar o fora daqui
Vou pra bem longe sei lá
Livra meu filho da dura realidade
Apesar, um dia ele vai sabe ai que pai e você
Quem sabe vai perdoa se marcar te esquecer
É num boteco de esquina e de longe o que vejo
Você cercado de mina, bancando a mesa e o bilhar
Jogando dinheiro fora
Enquanto o filho implora a sete anos uma festa
de aniversario não dá
Se vagabunda é foda mais mãe solteira é bem pior
No desespero a mãe nem pensa se vem fácil ou com suor
Se a fome chega o filho chora
Nessa hora o que acontece
O cara vem tem quer e a moral você esquece

Mãe foi difícil de mais te perde
Mais eu preciso esquecer o que foram
Capaz de fazer com você e voltar a viver
Ehehehehe

Refrão
O mundo da tantas voltas
Geram problemas as consequências, eu já senti
Marcas da adolescência

Confira Dina Di em Amor e Ódio:

Dina Di faleceu após o parto de sua primeira filha, por complicações decorrentes de infecção hospitalar. Dina tinha 34 anos à época.
Suas letras também abordam a temática social, questionando as desigualdades sociais e econômicas que manipulam vidas e escravizam jovens. Uma dessas letras é Eles Falam de Paz:
A cada dia que passa o mundo fica mais perigoso
cheio de ódio, miséria, político desonesto
líderes religiosos hipócritas e criminosos
Mas ainda que se demore, a justiça divina não tardará
aos que justo for
Deus enxugará dos seus olhos, toda lágrima
E não haverá mais morte, nem clamor
nem prantos e nem dorMeu coração está enfermo
cheio de mágoa, desconfiança
Eles dizem que há paz, quando não há
Lobos em pele de ovelha mansa
O amor da maioria esfriará, assim está escrito
assim será
Eles falam de paz, mas no seu intimo
armam uma emboscada
Eles falam de paz, quando não há

Eles falam de paz, mas no seu intimo
armam uma emboscada
Mas eu posso sentir os perigos da guerra não declarada
É uma guerra fria, disputa violenta, sanguinária
Sabe porém
Vai de mal a pior, vivemos nos últimos dias
Difícil de manejar, difícil aguentar
Difícil é não deixar o mal que há no mundo, me amargar
Difícil é se livrar das amarras, das algemas do demo
O Deus desse sistema caminha
em busca de alguém pra devorar
Nem com socorro ele fugirá
Tem que descer de cima do muro
e do mau caminho recuar
Tem que vencer seu lado inseguro
Seu medo tem que enfrentar
É uma longa batalha, é um luta diária ser sóbria
e não se rebelar contra mim
Se drogar, não
Tem que viver, tem que se amar
tem que querer se ajudar
Tem que correr, tem que suar pra alcançar
nessa vida um lugar
E não retroceder, por fé em Jeová, ele não tardará
Ele vai por um fim em toda maldade que há
e as enfermidades curar

Meu coração está enfermo
é para trás que estão andando
Eles dizem que há paz, quando não há
Em um mundo de guerra, um mundo de terra chorando
O amor da maioria esfriará, assim está escrito
assim será
Eles falam de paz, mas no seu íntimo
armam uma emboscada
Eles falam de paz, quando não há

Eles falam de paz, falam de amor, com ódio no coração
Eles andam pra trás, guardam rancor
usam o nome de Deus em vão
Eles matam à covardia, eles ficam impunes
eles tem regalia
Sabe porém
Vai de mal a pior, vivemos nos últimos dias
Senhor, minha mãe é minha dor
E foi assim, tiraram um pedaço de mim
A luz da minha alegria apagou
A saudade me faz sofrer
O que me conforta é saber
há de haver uma ressurreição
e que um dia ela há de voltar a viver
A impunidade mata muita gente
em mais uma bala perdida
Se aloja em uma vida inocente
Colapso moral
Manos com instinto animal, cada vez mais feroz
Sem auto-domínio, sem afeição natural
Da terra, do mar e das pessoas de bem
Vejo o mal dominar
E se Deus demorar, maluco, não sobra ninguém
Mas o mundo não acaba aqui
O mundo ainda está de pé
Enquanto eu tiver vida, levarei comigo esperança e fé

Meu coração está enfermo
cheio de mágoa, desconfiança
Eles dizem que há paz, quando não há
Lobos em pele de ovelha mansa
O amor da maioria esfriará
assim está escrito, assim será
Eles falam de paz, mas no seu intimo
armam uma emboscada
Eles falam de paz, quando não há

Dina Di é considerada a pioneira no rap brasileiro e sua produção musical envolve seis álbuns entre 1997 e 2007, junto do grupo Visão de Rua.
Seu reconhecimento e premiações fazem jus ao Doodle de hoje.
Confira o álbum completo O Poder nas Mãos:

 

Por: Elizabeth Del Nero

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