Vivendo de Música • Gestão e sua banda

Vivendo de Música • Gestão e sua banda

Por Luis Maldonalle

 

 

Nem sempre no caminho da música é simples identificar os problemas logo de primeira. Tampouco, que você seja a pessoa mais indicada para isso. Em 35 anos de carreira, eu acabei por relacionar com um sem números de situações assim. É como se houvessem formatos pré estabelecidos dentro do caminho de gestão em um projeto musical e bandas. A grande verdade é que boa parte não está preparada para a função. E o grande divisor de águas nesse sentido é entender/absorver que tal qual uma empresa (e sua banda deveria ser uma) não deve ser gerida com emoção.

Raramente bandas usam planilhas e tem todos os passos anotados. Cada gasto na ponta do lápis. Misteriosamente a maioria se desfaz no primeiro revés. Alguns, um número ínfimo eu diria, continua. Às vezes pelo sonho. Outros, pelo orgulho. Erro fatal que pode custar ainda mais caro a longo prazo.

Há uma cadeia de eventos nesse processo. Ou pelo menos deveria. E o que acontece é que no afã em pular etapas e colher frutos megalomaníacos existentes apenas em um mundo de faz de contas, atropela-se processos, etapas e tópicos básicos na busca de um reconhecimento artístico.

Delegar funções em uma banda pode ser outro gatilho para o caos. O que deveria ser um entendimento de funções baseado na unicidade da capacidade individual acaba por ser uma disputa por razão e 1º lugar. Outro fator devastador nesse processo é a falta de comprometimento com o que foi delegado. Aqui teimosia e desinteresse se juntam num “duo” tão mortal quanto Charlie Parker e John Coltrane.

Parte da bandas encaram o básico como obrigações desnecessárias e total perda de tempo. Enquanto você coloca o coração e sonho na ponta do projeto, o seu companheiro de banda encara como o futebol de fim de semana. Aqui você já tem um vislumbre de como isso vai acabar. Mas continuar ou não cabe apenas a você.

A verdade é que a Cruz em tempo integral é pra poucos. Fazer tudo mesmo quando parece impossível ou naquele dia imprestável, sequer é cogitado. Muito menos, feito.

O trabalho de bastidor, quando encarado como trabalho, faz sim diferenças. Mas a realidade é que a maioria desconhece por completo o processo como um todo. E uma foto no Instagram com uma copy que parece ter saído de um aluno do jardim de infância definitivamente, não é marketing.

Se agarrar a tocabilidade ou críticas aos pares do seu nicho, não vai te colocar no Olimpo musical. Pelo contrário. Apenas demonstra a infantilidade e o despreparo com que tudo vem sendo levado.

Por fim, a carreira musical vai muito além do seu instrumento. E o aprendizado deve ser encarado de forma tão seria como o seu sonho.

Afinal não dá pra querer resultado de profissional sendo amador.

Abs.

Maldonalle

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Author: Maldonalle

Luís Maldonalle é guitarrista há trinta anos e é e considerado um dos grandes expoentes da cena do Centro-Oeste. Atualmente se dedica ao conteúdo via redes e o Tributo Yngwie Malmsteen. Luís sempre foi um aficionado das clássicas histórias de terror e literatura fantástica. O seu livro, Sete Noites em Claro, é a estreia dele no universo do terror e fantasia. Para mais informações visite : https://www.paypal.com/donate?hosted_button_id=M83EX6BSSVXS4

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