O Partenon das Mulheres

O Partenon das Mulheres

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Michele Fernandes

O Partenon das Mulheres é o texto desta semana na coluna de Michele Fernandes.

 

 

 

Pesquisar sobre mulheres escritoras já é uma marca desta coluna. No entanto, ainda me surpreendo por cada vez poder descortinar mais e mais mulheres escritoras cujos nomes ficaram presos aos séculos passados.

Desta vez, não precisei ir longe para encontrá-las. Minhas descobertas foram de escritoras gaúchas do século XIX, minhas conterrâneas que eu não conhecia, nunca estudei no colégio, nunca foram mencionadas na faculdade…

Aqui em Porto Alegre há um bairro muito relevante na cidade, conhecido como Partenon. A história desse bairro se vincula à história de uma sociedade literária fundada em 1868, a Sociedade Parthenon Litterario. Essa agremiação teve um papel importante na consolidação do painel cultural sul-rio-grandense no século XIX.

Surpreendentemente, em um contexto onde a literatura conflitava com uma população formada sobretudo de analfabetos, a Sociedade Partenon Literário organizava eventos voltados à cultura, como saraus, aulas e conferências sobre literatura e filosofia. Lá se discutiam temas como política, costumes morais, abolição da escravatura, emancipação da mulher e educação. A Sociedade também foi responsável pela fundação de uma revista mensal, que vinha a estimular a leitura e a criação literária.

Como se percebe, era uma entidade progressista, chamando muito a atenção o papel destinado às mulheres, acolhendo em sua pauta o feminismo e dando destaque às escritoras de forma diferente do que acontecia, por exemplo, na ABL, fundada posteriormente e conservadora até hoje, que permitiu a inclusão de mulheres apenas a partir de 1977.

A Sociedade Partenon Literário teve, conforme consta em seus registros, pelo menos 12 mulheres participando ativamente como escritoras. Conheça um pouco mais sobre elas:

 

 

– Luciana de Abreu (1847 — 1880) foi uma poetisa e professora nascida em Porto Alegre. Pioneira da luta pela emancipação da mulher no Rio Grande do Sul. Em 1969, ingressou na Escola Normal, tornando-se professora. Participando de saraus, recebeu convite para ingressar na Sociedade.

 

 

– Amália dos Santos Figueiroa (1845 —1878) foi poetisa e jornalista porto-alegrense. Ingressou na agremiação por intermédio do poeta Carlos Augusto Ferreira, seu noivo. Feminista e abolicionista, Amália escrevia sobre amor e pátria.

 

 

– Revocata Heloísa de Melo (1853 —1944) foi uma escritora, jornalista e educadora, nascida em Porto Alegre. Era filha da poetisa Revocata dos Passos Figueiroa de Melo e de João Correia de Melo e irmã de Julieta de Melo Monteiro junto a quem publicou a obra “Berilos”. As duas ficaram conhecidas no meio literário como as irmãs Melo, fundando o primeiro órgão literário da imprensa feminina, o periódico “O Corymbo” e, posteriormente a revista “Violeta”.

Participar da Sociedade Partenon Literário permitiu a essas escritoras certo reconhecimento em sua época. Elas tiveram voz, emancipação e espaço, embora tenham posteriormente caído no limbo do esquecimento. Mesmo assim, deixaram as suas marcas, a principal delas talvez seja a homenagem como patronas, respectivamente, das cadeiras 5, 6 e 12 da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul, fundada em 1943 e em funcionamento até hoje.

 

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