Cavando Ideias – A importância de Paulo Freire

Cavando Ideias – A importância de Paulo Freire

Cavando Ideias – A importância de Paulo Freire é artigo de Silvia Ferreira Lima em sua coluna semanal na Expedição CoMMúsica.

 

Matriz de gravura feita de papel cartonado cortado à estilete e gravado com tinta preta
Matriz sem nome, que está em O Livro da Hipnose: ou estados de consciência, Editora Voz de Mulher, feita em 2020, Campinas SP Silvia F Lima

 

Uma vez que no artigo anterior, falamos sobre Ana Mae Barbosa. Agora vamos falar um pouco sobre Paulo Freire, um dos maiores especialistas em Educação no mundo, não apenas no Brasil. Conterrâneo de Ana Mae Barbosa, Paulo Freire também nasceu em Pernambuco. Foi aluno do curso de Direito na Universidade Federal de Pernambuco, assim como Ana Mae. Mas dedicou-se à Filosofia da Educação, enquanto a segunda dedicou-se ao ensino de Arte e Educação.

O que ambos têm em comum é o fato de que o sujeito é responsável pela própria educação e que aprende de acordo com seus interesses e suas necessidades. Mas Freire, em seu livro Pedagogia do Oprimido, reforça a ideia da necessidade de um ensino-aprendizagem democrático, caso contrário. o povo oprimido no presente acabará por se tornar um opressor a partir do momento em que puder fazer suas escolhas. Por isso, é primordial que o aluno escolha o que deseja aprender de acordo com suas necessidades e interesses. Urge que os alunos tenham disposição para aprender.

Vivemos com essa questão de modo muito forte atualmente, com o retorno dos alunos para as aulas presenciais depois de dois anos de isolamento social e pandemia. Na prática, as escolas têm convivido com o desinteresse  dos alunos. Muitos não têm voltado para as salas de aula. Sejam elas de escolas públicas ou particulares. Acreditamos que esta questão se deve a dois fatores importantes: a desvalorização que o governo atual demonstrou pela Educação e à falta de condições de sobrevivência, como: a fome, o desemprego, o aumento do preço do gás e dos combustíveis, aumentando consequentemente o preço dos alimentos, que também são transportados do lugar de produção para os alugares de consumo, o que só encarece e aumenta a inflação.

Enfim, se a sobrevivência não é garantida, quem tem disposição ou condições financeiras para manter sua educação? E no caso das classes baixas, que possuem vagas nas escolas públicas, eles só pretendem que os filhos saiam da escola para poderem arrumar um emprego e se manter ou ajudar a manter as outras pessoas em casa. E se as famílias não valorizam, como os alunos vão valorizar? Como vão valorizar o trabalho da escola e do professor, se não valorizam a educação que recebem? Agora, eu pergunto, que tipo de educação os alunos recebem para não verem sua utilidade no dia-a-dia? Será que os alunos estão realmente aprendendo? O que estão aprendendo? Não teriam os professores que reavaliar seus trabalhos? As Secretarias de Educação não deveriam reavaliar o papel da educação nas sociedades?

Bom, Paulo Freire optou pelo ensino, e seu maior feito foi educar 300  trabalhadores num engenho de cana em Pernambuco, ensinando-os a ler e escrever em 45 dias. Sim, sua experiência foi incrível e criou um método revolucionário de educação popular. Ensinando aos trabalhadores aquilo que eles desejavam aprender, o que escolhiam aprender. Deste modo, o processo de ensino-aprendizagem se desenvolveu numa rapidez muito grande. Foi sua experiência que deu origem à Ensino de Jovens Adultos (EJA), que existe atualmente nas escolas públicas.

Freire afirma que o professor é um orientador, que auxilia o aluno a aprender o que deseja, de acordo com suas necessidades. Assim, o aluno também é responsável pela sua aprendizagem. Já começa daí uma educação democrática, em que os alunos possuem o direito de escolher e opinar, ao mesmo tempo em que se responsabilizam pelo seu aprendizado. Nas frases de Paulo Freire, “sem uma educação libertadora, o sonho do oprimido é tornar-se o opressor”. Assim como podemos comprovar atualmente, no governo bolsonaro e no bolsonarismo. Não é que aqueles que foram ao poder realmente tenham se preocupado com a justiça para todos. Mas preocuparam-se com agora começar o momento para eles mandarem e roubarem. O que parece história na mentalidade da população brasileira.

Paulo Freire recebeu 35 títulos de Doutor Honoris Causa nomeados por Universidades ao redor do mundo, mesmo na América do Norte e na Europa. Recebeu o Prêmio Unesco de Educação para a Paz em 1986. Ensinou em várias universidades ao redor do mundo também. Mas, no final do governo João Goulart, foi preso e acusado de traição, porque ajudou no governo de João Goulart a criar o Plano Nacional de Educação e aplicá-lo conforme os desejos do então presidente, que depois de deposto, levou Paulo Freire à cadeia em 1964. Em seguida, ficou exilado na Bolívia e trabalhou no Chile. Nesta época, publicou o livro  Educação como Prática da Liberdade em 1967.

Em 1969, foi professor visitante na Universidade de Harvard, quando publicou o livro Pedagogia do Oprimido, que foi o livro de Ciências Sociais mais traduzido e lido até hoje. No entanto, só foi publicado no Brasil em 1974, com a abertura política no governo de Geisel. O perdão político saiu em 1979, porém Paulo Freire só retornou em 1980, quando foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em São Paulo. Fez parte do governo petista de Luiza Erundina, sendo Secretário da Educação em São Paulo. Dentre as marcas de sua passagem pela secretaria municipal de educação foi a criação foi o Movimento de Educação de Jovens e Adultos, chamado de EJA pelas diversas secretarias municipais do estado.

São também obras de Paulo Freire:

Entre outras…

Morreu em 02 de maio de 1997, de ataque cardíaco, na cidade de São Paulo (SP).

Vale a pena ler mais sobre seu trabalho!

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